Acompanhe aqui:

22 de fevereiro de 2016

A saída de Varejão do Cavs e sua memorável temporada em 2012/2013


Sabe aquele post que você não quer, mas precisa escrever? É justamente esse aqui. Pensei que eu nunca falaria isso. A verdade é que o Cleveland Cavaliers se viu em uma situação que trocar Anderson Varejão era a coisa mais coerente a fazer. Ninguém aqui duvida da capacidade do brasileiro, que sempre honrou a camisa 17 da franquia de Ohio. Enquanto Andy se recuperava de mais uma lesão na carreira, o time encontrou Timofey Mozgov e viu um Tristan Thompson mostrar evolução em seu jogo. Anderson perdia de vez seu espaço na rotação.

O seu contrato era o problema. Ele recebe mais de 9 milhões nessa temporada, mais de 10 milhões na próxima e exatamente 10 em 2017/2018 (não garantido). Diante de tantos contratos longos, a organização precisou se mexer e buscar um alívio. Precisou respirar. Trocou Varejão e livrou-se de pagar 19 milhões (valor totalmente garantido) ao brasileiro de 33 anos. Infelizmente temos que concordar que foi um acerto dos dirigentes. Na troca, o pivô foi parar em Portland. Mas retomando a questão do contrato, NINGUÉM ia pagar tudo aquilo por Andy. Acabou dispensado. Ele receberá o salário acordado, mas não comprometerá o teto salarial de nenhuma equipe. Agora está livre para assinar com qualquer franquia (receberá o mínimo). Em resumo, ganhará o dinheiro do contrato feito com o Cavs (Blazers paga) + salário da nova equipe.

Ok, foi explicado o que ocorreu com o Andy, no entanto o intuito desse post é totalmente outro. Queria compartilhar um pensamento com vocês que tive e não está saindo da minha cabeça. Todo mundo aqui sabe a trajetória do brasileiro. Chegou ao Cavs em 2004 e sempre foi reserva. Mesmo iniciando as pelejas do banco de reservas desde seu primeiro ano na liga até 2010, sua importância foi crescendo gradativamente. Quando LeBron anunciou que estava levando seus talentos para South Beach, foi um ano de reconstrução em Ohio. Os remanescentes daquele grupo precisaram juntar os cacos e seguirem com a vida. Varejão era um deles. Seu papel era outro. Agora, titular, precisava ser mais ativo nos dois lados da quadra. Seja no ataque ou seja na defesa, o pivô virava uma espécie de líder, dono da equipe. Experiência não faltava. 

A coisa não seguiu muito bem por lá. Os Cavs já tinham a derrota como algo rotineira em sua jornada na liga. Pessoalmente, Andy foi vendo seus números crescerem. Ele sabia que o time sofreria nessa transição sem James e a esperança era a reconstrução via Draft. Kyrie Irving, Tristan, Dion Waiters... pouco a pouco o núcleo ia trabalhando para que a torcida voltasse a ter um grupo competitivo.

As lesões foram uma constante em sua carreira. Agora chego no ponto que eu queria chegar. Eu realmente tenho a impressão que tudo poderia ser diferente na vida do brasileiro em 2012/2013. Os problemas na equipe seguiam, entretanto Andy entrou tão focado que suas atuações empolgavam até o mais pessimista torcedor. Em 25 jogos naquela oportunidade, suas médias eram impressionantes: 14,1 pontos e 14,4 rebotes. O fato triste daquela temporada foi descobrir, em 21 de janeiro, um coágulo de sangue no pulmão. Infelizmente era o fim da linha para Anderson. No ano seguinte, após vencer a doença, volta para a equipe e... O CAVS INVESTE EM ANDREW BYNUM. Bom, o resto todo mundo sabe.

O que eu queria frisar é: o quão diferente seria a trajetória do Varejão na NBA se ele não sofresse com problemas? Ele seguiria com médias tão absurdas? Eu tenho a nítida impressão que tudo seria diferente. Ele elevaria seu nível dentro da liga. Teria uma enorme valorização. Ele conseguia destaque em um mar de incertezas naquele Cavs. A amostragem foi pequena (somente 25 partidas), no entanto ficou o gostinho do "Se...".

O nosso queridão Varejão agora busca seu espaço e, se mantendo saudável, ainda pode ser útil em qualquer plantel. Passe o tempo que for, sempre guardarei na memória aquela temporada dos 14 pontos e 14 rebotes. É complicado assistir toda a ascensão de um cara que começou lá de baixo, foi subindo, subindo, ganhou destaque e teve infelicidade de sofrer com corriqueiras contusões e problemas. Para a torcida do Cavs, as estatísticas não importam. O que ficará guardado é a dedicação que o brasileiro teve em atuar pela equipe. A noite das perucas deixará saudades.

Siga o Paixão NBA no Twitter

0 comentários :

Postar um comentário

Manda a sua mensagem, solta o verbo, fã da NBA!