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25 de dezembro de 2015

O incrível Utah Jazz interrompido por lesões


Paulo Lopes (@pvwolves)

Quin Snyder está em seu segundo ano como head coach e ouso dizer que ele já figura entre os melhores da liga. Na temporada de 2014-15, veio comandar o Utah Jazz depois de passar um ano sob a batuta de Mike Budenholzer, laureado como Coach of the Year pela NBA – depois de sua saída – por um trabalho brilhante no Atlanta Hawks. Snyder montou um sistema que lembrava muito o Spurs (escola do seu mentor, Budenholzer): cheio de pick and rolls, muitos passes, tentando usar o relógio para achar o arremesso de melhor aproveitamento em 24 segundos. Ele é um dos técnicos que você pode confiar em fazer um ajuste no meio dos playoffs (mesmo ele nunca tendo ido aos playoffs, risos) e levar a série ali. Consegue ajustar o ataque e a defesa com facilidade para tirar o suprassumo do elenco. 

Ajustes foram feitos quando Trey Burke – que era um grande armador no college que veio com expectativa alta pra NBA – parecia insuficiente pro esquema. Dante Exum – recém chegado da Austrália e dado como cru por todos os scouts do universo – já mostrava ser um jogador absurdo na defesa. No começo da temporada 2014-15, o Jazz usava Burke e Kanter, que postavam OffRtg de 102.8 e DefRtg de 110.1 (NetRtg -7.3). Já a lineup com Exum e Gobert postou o OffRtg de 99.5 e DefRtg de 98.0 (NetRtg +1.5). A diferença entre os dois pares é de 8.8 pontos a cada 100 posses e ajudou a definir que Exum seria o armador principal da equipe e Burke vinha sendo deixado de lado, assim como definiu a troca de Kanter para Oklahoma. 

O ataque do Jazz mudou da primeira temporada para a segunda. Antes tinham um dos melhores atacantes debaixo da cesta da liga (Kanter) e hoje essa referência fica mais fraca por Gobert ser um jogador de defesa. O novo ataque é montado para um armador que não fica com a bola na mão (Exum) e a bola roda por todo o perímetro até ser encontrada uma situação de infiltração, com possibilidade de ser encontrado algum jogador para passe de fora. Sempre é criada a opção de jogar a bola para Derrick Favors no low post. Favors evoluiu muito jogando de costas para a cesta, tanto atacando a cesta quanto passando a bola para fora. Em quase todas as jogadas, a bola chega nas mãos de Gordon Hayward, que é a maior referência ofensiva da equipe. Snyder tenta sempre deixar a lineup com 2 jogadores que consigam criar o próprio arremesso, alternando com Burke, Burks e Hayward, tendo também Rodney Hood como opção. 

O Jazz foi o time que mais teve lesões capitais e mesmo assim fez os ajustes para se manter com chances de playoff. Exum e Gobert são as âncoras defensivas da equipe. Exum se machucou sozinho pela seleção australiana, e Gobert jogou 14 jogos na temporada e perdeu os últimos 12 (até a conclusão do texto, em 22/12). Os ajustes de Snyder fizeram com que o Jazz não ficasse muito para trás depois da lesão. O ataque é melhor (OffRtg pulando de 103.2 para 109.5), porém a defesa dá um pulo ainda maior, até por Gobert ser um dos melhores defensores da liga e tendo sido substituído por Trey Lyles e Trevor Booker, com Favors de center na maioria do tempo. Até o momento, o Jazz postou um recorde de 5-7 e vai se ajustando a cada jogo. 

Com a volta de Exum prevista para depois da temporada regular e a de Gobert com tempo indeterminado (porém, ao que parece, mais próxima), o Jazz carece de peças que coloquem a equipe nos playoffs do Oeste. Com o time completo, parecia uma aposta fácil. Agora, luta-se pela vaga – que parece longe de se alcançar – e olha-se para o futuro de uma equipe com as peças certas, o esquema certo e o técnico certo.

1 comentários :

Eu acho que o Jazz vai sim aos playoffs, problema que vai passar em 8º, aí já vai pegar o Golden State logo de cara.

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