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13 de novembro de 2015

E se o Oscar Schmidt tivesse escolhido a NBA?


Por muitos anos, eu sempre tive uma implicância com o Oscar Schmidt por suas declarações como ex-atleta. Tudo começou quando ele desceu a lenha nos jogadores brasileiros que atuam na NBA, que não eram liberados por suas equipes para defender a seleção nacional. O Brasil, que até pouco tempo não via a cor das Olimpíadas, se acostumou a jogar de forma desfalcada. O principal alvo de Oscar sempre foi Nenê (inclusive os dois trocaram farpas até pouco tempo atrás). Para piorar, o "Mão Santa", sem um argumento convincente, declarava que o Brasil precisava demitir Rubén Magnano. Sobre essa questão, eu prefiro nem me manifestar. Só que se você pensa que o post será para descer a lenha em Oscar, está enganado. O rumo dessa publicação é outro.

Nunca parei para comentar um pouco sobre esse potiguar, que hoje faz parte do Hall da Fama do basquete. Se a conquista de um Mundial não veio, Oscar foi aquele que melhor representou nosso país e jogou basquete até os 45 anos. Ele que disse não à NBA (já chegamos lá) para defender a nossa seleção, encerrou sua carreira profissional em 2003 com a incrível marca de 49737 pontos. O maior cestinha da história do basquete. 

Depois de atuar anos em solo brasileiro, o Mão Santa foi brilhar na Itália. Não demorou muito para chamar atenção dos americanos e, no Draft de 1984 (aquele do Olajuwon, Jordan e cia.), foi selecionado na sexta rodada (o processo era diferente), na 131ª escolha pelo New Jersey Nets. Tal pick que o próprio Oscar brinca quando relembra: 131? Sério? Ele foi até o training camp dos Nets, porém o basquete era diferente naquela década. Os jogadores da NBA não podiam atuar em competições internacionais. E ali está o divisor de águas. A decisão que me fez imaginar mil coisas e me faz perder o sono e escrever esse post (postarei mais tarde, mas agora são 04h14). Ele precisava escolher: NBA ou seleção brasileira? Seleção brasileira ou NBA? Ele optou por defender as cores do seu país. Ninguém aqui pode julgar. Ele escolheu, vestiu a nossa camisa e lutou em quadra a cada partida. Como qualquer um aqui, ele tinha sonhos, tinha um ideal e outras ambições.

Por qual razão eu fico imaginando mil coisas? Porque no mundo da minha imaginação, por alguns segundos, eu tento projetar Oscar escolhendo jogar na liga profissional americana. "Ah, Matheus, não ferra, ele não ia anotar mais de 40 mil pontos e não ia ser uma espécie de Abdul-Jabbar". Claro que não. Era a NBA, lar dos maiores jogadores do planeta e, no ano que Oscar adentrasse na liga, também entrariam atletas que hoje são lendas vivas desse esporte. Seria muito complicado. Mas estamos falando de um cara persistente, amante do basquete que não ia desperdiçar aquela oportunidade. 

Estamos falando do cara que, desde 1974 até 2003, chutava mais de 1000 bolas por treino. Era chute de todos os lados da quadra. O cara que treinava 8 horas todo santo dia. Era o cara que Kobe Bryant  (ainda garoto) viu chutar traseiros na liga italiana. O cara que jogou no mais alto nível em torneios mundiais, pan-americanos e jogos olímpicos quando vestiu a amarelinha. Quando foi introduzido ao Hall da Fama do basquete, discursou por mais de 15 minutos e só fez o pessoal imaginar: e se ele tivesse jogado na NBA? Perguntado quantos pontos faria, respondeu: "1 ponto por minuto. 20 minutos, 20 pontos. 40 minutos, talvez 60 pontos. 

O Nets perseguiu Oscar por três anos, porém a NBA seguia de portas fechadas e não era tão globalizada como é hoje. E quando tudo mudou e os atletas da liga podiam defender suas seleções e disputarem competições internacionais, Oscar já tinha 34 anos. Quem daria uma oportunidade para um rookie de 34 anos? Li muitos portais que destacam Oscar como um dos maiores jogadores da história a não atuar na NBA. 

Ao ler mais sobre sua trajetória, eu entendo um pouco porque ele fica tão, mas tão puto por ver os profissionais de hoje virando as costas para a seleção (e eu me refiro de uma forma geral): ele fica ressentido por ter feito uma escolha tão complexa, que mudou os rumos de sua trajetória no basquete, onde ele preferiu a seleção ao invés do dinheiro, da exposição e do desafio de encarar um outro mundo. Ele fica puto porque hoje a grande maioria caga para seus países. Óbvio que eles não falarão dessa forma, mas a verdade é que se der para atuar na seleção nacional, beleza. Se não der, beleza. Isso quem estipula é a franquia. Tem aquela questão do seguro que as confederações precisam pagar... 

Só que naquela época, o Oscar imaginava que seria uma afronta à sua nação. E para deixar ele mais puto ainda, hoje isso não tem mais relevância. Que até a população está cagando e andando para o basquete. É o país do futebol. Oscar é o cara certo no esporte errado. Ou seria: o cara certo, no esporte certo e no país errado? Espero que os amigos que apreciam esse esporte não venham com pedras e facas pra cima de mim. Eu aprecio esse esporte maravilhoso e me dói escrever certas coisas. Estou retratando um fato infeliz. Para o brasileiro, se o basquete está bem, é aquela história "Sooooooou brasileiro, com muito orgulho e muito amor". Se perde e obtém resultados frustantes, dispara críticas sem fundamentos, sem saber que essa modalidade sofre com más administrações e poucos recursos financeiros.

Li também vários artigos que jornalistas internacionais ousam dizer que o eterno camisa 14 teria um futuro espetacular na liga. Uma espécie de Dirk Nowitzki. Quem garante isso, inclusive, é o Kobe. Com sua altura e força, o ala brasileiro teria capacidade de anular adversários com autoridade e. com sua precisão nos arremessos, teria uma jornada de muito sucesso. Aí que eu fico pensando, pensando, pensando e pensando. Peço aos amigos que seguem o PN que façam o mesmo: imaginem esse rapaz, cestinha por vários anos aqui no Brasil (quando o esporte ainda tinha respeito), cestinha na Espanha, cestinha por vários anos na Itália, monstro de produzir pontos em competições FIBA (único jogador na história anotar mais de 1000 pontos em jogos Olímpicos), em ação na NBA. 

Sei que muitos aqui não gostam dele e podem criticar sem dó e piedade esse post. Cansei de brincar no twitter do PN escrevendo coisas como "Bruno Caboclo e Fab Melo tem mais pontos que Oscar na NBA". Eu apenas discordo de suas opiniões como ex-atleta. Acho ele muito radical. Não é nada pessoal. Tenho uma tremenda admiração por esse nome do nosso basquete. Por isso peço que o pessoal esqueça outros detalhes e se concentre que esse post fala um pouco sobre a carreira de Oscar Daniel Bezerra Schmidt como jogador e questiona como seria sua participação na NBA. 

Aos 57 anos de vida e viajando o país com suas palestras motivacionais, o glorioso Mão Santa nunca vai admitir que se arrepende de suas escolhas (e nem deve mesmo), entretanto algo me diz que alguma vez (pelo menos uma vez em tantos anos) ele deitou na sua cama, colocou a cabeça no travesseiro e imaginou: e se eu tivesse escolhido o outro caminho? Fica somente na imaginação.

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1 comentários :

Tche, simplesmente DEMAIS o teu texto. Já me peguei pensando sobre isso algumas vezes. Discordo apenas da seguinte parte do texto:
""Ah, Matheus, não ferra, ele não ia anotar mais de 40 mil pontos e não ia ser uma espécie de Abdul-Jabbar". Claro que não."

Acho que iriam sim. Seria uma lenda junto com os que iniciaram na liga naquela época. O cara era peristente, batalhador, iria treinar como um louco e, com o gênio que ele tem, nunca iria relaxar se ficasse para trás comparando aos outros. Certamente iria lutar a fio para estar sempre no bolo dos tops.
Na minha humilde opinião, uma palavra é o que resume ele: Monstro.

Abraços e novamente, parabéns pelo excelente texto.

Felipe Lima.

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