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30 de dezembro de 2014

Os problemas do Cleveland Cavaliers


Com o olhar crônico de Ariel Paiva (@tripledouble_)

O Cavaliers desta temporada é mais uma franquia formada nos moldes do “win-now”. Juntam-se duas ou, o que é mais comum, três estrelas da liga em busca de um título já na temporada que o big three se forma. Todo mundo está careca de saber que não dá certo logo de cara. Os exemplos mais recentes são o Miami Heat de 10-11’ (Bosh, LeBron e Wade) e o Brooklyn Nets de 13-14’ (Paul Pierce, Joe Johnson, Deron Williams). É preciso tempo, paciência, banco, força de vontade e sorte, muita sorte (né Ray Allen?).

A pressão é inevitável, apesar dos problemas que todos já apontavam desde a contratação de Kevin Love: Defesa, falta de entrosamento, banco de razoável para fraco. E de fato isso vem se concretizando. A falta de entrosamento e variações ofensivas é um problema até mesmo inacreditável, visto que o time conta com LeBron James que carrega a bola, infiltra como um trator, chuta de qualquer canto da quadra, Kevin Love um ala-pivô que chuta muito bem de longe, pega rebotes como o Snoop Dogg fuma maconha e tem um bom jogo de post-up, além do “Uncle Drew” Kyrie Irving, um dos melhores ball-handlers da liga. A possibilidade de jogadas envolvendo SÓ esses três jogadores é infinita.

O banco vem sangrando e vai sofrer ainda mais agora que Varejão perdeu a temporada e com os constantes problemas de lesão de Kyrie Irving. Dion Waiters sendo o porra-louca de sempre, Joe Harris aparecendo como bom defensor – e não muito mais que isso –, mas muito pouco para um time que quer vencer a NBA.

Mas o que realmente preocupa é a defesa da equipe. O último jogo, contra o Detroit Pistons, deixou algumas feridas expostas – tanto que LeBron já abriu fogo contra Blatt e uma certa “crise” está por iniciar -. O ex-time de Josh Smith, que agora utiliza seus talentos em Houston, bateu o recorde de bolas de três em um único jogo: 16.

David Blatt começou com Mike Miller/Kevin Love e Tristan Thompson, provavelmente em busca de parar as torres gêmeas de Van Gundy, Greg Monroe e Andre Drummond. Despistando a boa atuação dos dois – 10p/6r/4a para o primeiro e 16p/17r/5b para o segundo -, o grande problema da noite foi a defesa de perímetro e as rotações.

Primeiro lance: Começo de jogo e todo mundo fresquinho ainda. Greg Monroe vai bater bola para cima de Kevin Love. Brandon Jennings corre para o meio e abre espaço para Singler, marcado de longe por LeBron James se aproximar do ala-pivô e abrir uma oportunidade de chute de três. Drummond caminha desinteressado para a marca de lance livre e KCP assiste o lance, com Mike Miller marcando de longe, dando cobertura para Kevin Love que enfrenta um matchup difícil.


Greg Monroe encontra dificuldades para passar por Kevin Love e conseguir ângulo para chutar. Singler já está perto dele, mas LeBron está na linha de passe impedindo esta jogada, Jennings e Drummond congestionam o garrafão, que conta também com Dellavedova, Tristan Thompson e... Mike Miller? Agora KCP está completamente livre na zona morta.


O ala-pivô do Pistons percebe a abertura do segundo-anista e passa a bola para ele. Mike Miller corre igual um presidiário fugindo da prisão, mas já era tarde. A primeira das 16 bolas de três da franquia de Detroit na noite.


Segundo lance: DJ Augustin agora está em quadra e arma a jogada ofensiva. Drummond se prepara para fazer uma off-ball screen e deixar Meeks, marcado por Mike Miller, livre do outro lado da quadra para chutar. Jerebko está no meio dessa bagunça toda marcado por Kevin Love.


Jerebko e Drummond se preparam para fazer o screen para Meeks que pode ficar livre já a dois passos dali. Mas o Cavaliers mata a si mesmo. Mike Miller dá a volta em Jerebko para acompanhar o ala-armador do Pistons e Kevin Love faz o mesmo.


Meeks leva os dois marcadores para o outro lado da quadra. Uma vez com Jerebko livre, Augustin só precisou entregar a bola ao ala/ala-pivô que finaliza a jogada com perfeição.


Terceiro lance: Brandon Jennings de volta em quadra e chama o pick-and-roll com Greg Monroe. Dion Waiters marca o armador, Kevin Love o pivô, Tristan Thompson marca Jerebko, LeBron James está na zona morta marcando Caron Butler e Mike Miller está em KCP.


O pick-and-roll automaticante gera a movimentação de quatro jogadores. Jennings e Monroe seguem o movimento natural da jogada, enquanto Butler corre para ocupar a diagonal da cesta e KCP, tanto para atrapalhar a rotação quanto para ser uma opção, corre para a zona morta.


Mike Miller se livra de KCP e passa a marcar Monroe, deixando KCP com LeBron James, que defendia Caron Butler. Jennings fica marcado, mas com espaço, por Dion Waiters E Kevin Love, enquanto Butler corre livre como uma abelha para receber a bola


Mike Miller abraça Monroe, Waiters cuida de Jennings sozinho – obviamente – e Kevin Love fica comendo moscas, enquanto LeBron cobre – deu dois passos a jogada inteira - KCP. Butler é uma opção clara e óbvia para a cesta de três.


De novo Mike Miller tenta consertar o erro e corre desesperado atrás de Caron Butler enquanto Love e Monroe brigam no garrafão. Mas o ala do Pistons faz bem seu trabalho. Mais um open shot de três do Pistons.


Quarto lance: Jennings trabalha do lado da quadra. Recebe uma screen do Jerebko e Drummon se prepara para fazer outra screen na cabeça do garrafão. KCP está distante dando opção caso aconteça algum problema, fazendo o passe de segurança para trás.


Mike Miller marcava KCP a uma distância enorme em um primeiro momento. E só irá piorar. Brandon Jennings invade a defesa do Cavaliers e é cercado por três jogadores: Miller, Thompson e Dellavedova. Kentavious Caldwell-Pope já desce na quadra para ser opção e entrar na linha de passe de seu armador. Completamente desmarcado.


Jennings ainda progride com tranqüilidade dentro do garrafão e Monroe já se prepara para fazer uma screen em Mike Miller, que já está completamente fora da jogada. Love e Thompson fazem a “marcação” sobre o armador do Pistons, enquanto KCP caminha cada vez mais livre para a zona morta.


Quando KCP recebe a bola temos três jogadores do Cavaliers no garrafão marcando exatamente zero jogadores, Mike Miller completamente fora de posição parado na screen do Monroe e LeBron James, teoricamente o melhor defensor da equipe, fora da jogada – bem pensado, aliás – marcando Jerebko. Desta vez, o ala-armador errou o chute.


Como vimos, o trabalho defensivo do Cavaliers foi, e é, sofrível até aqui.Claro que o time de Cleveland poderia ter ficado no jogo caso finalizasse osopen shots, mas como não aconteceu, a surra se sucedeu. Muito trabalho paraa franquia de Dan Gilbert nessa temporada ainda.

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