Acompanhe aqui:

15 de maio de 2014

Entrevista exclusiva com Ricardo Bulgarelli, comentarista do Sports+

Ele tem 42 anos de idade e hoje é comentarista do canal exclusivo da Sky, o Sports+. Mas também já passou por Band, ESPN Brasil, SBT e Rede Record. Já acompanhou três All-Star Game, assistiu de perto o retorno de Michael Jordan ao basquete (2001) e acompanhou o mundial de basquete de Indianapolis (2002).

Já cobriu quase todo o tipo de evento esportivo. Casado e pai de dois filhos, torce para o Portland Trail Blazers do menino Damian Lillard. O entrevistado do Paixão NBA é Ricardo Bulgarelli. Com o Sports+ transmitindo vários jogos na temporada, o fã da maior liga de basquete teve um contato maior com o comentarista. E o blog resolveu ir conhecer um pouco mais sobre ele. 

Confere aí!

Como você vê o crescimento da liga no Brasil? Em outubro teremos outro GLOBAL GAMES c/ Heat e Cavs. São três emissoras fazendo a cobertura. Ainda acredita na liga tendo espaço na TV aberta?

Trabalho em TV aberta também, Matheus, e hoje o assunto se chama ibope. Esse já seria um dos motivos pelo qual a NBA está ausente deste mercado no momento. Outro é o horário das partidas. Como você é jovem, a NBA na Band começou com compactos, depois jogos em VT na madrugada e, depois sim, alguns jogos ao vivo, principalmente as finais. E porque a Band tinha uma programação toda ela voltada para o esporte. Eram outros tempos… Hoje os horários a noite de alguns canais, por exemplo, são vendidos… por isso que vejo com chances remotas da NBA voltar a TV aberta brasileira. Eu gostaria muito, mas acho um sonho neste momento. A liga sempre cresceu no Brasil mesmo não tendo os jogos em TV aberta. Cresceu pela paixão das pessoas que vivem o basquete, por muitos dos brasileiros terem mais condições de viajar aos EUA para acompanhar os jogos, pela evolução da internet que você hoje pode acompanhar o seu time do coração assinando o League Pass, pelo crescimento das mídias sociais… a NBA cresce em geral no mundo todo. Pena o basquete ter perdido espaço para o vôlei no coração dos brasileiros. Mas você sabe: brasileiro gosta de vencer. Se a seleção conseguir resultados expressivos, quem sabe um dia o basquete volte ao seu lugar.

Há pouco tempo, perdemos Luciano do Valle. Como era acompanhar os esportes americanos na voz desse monstro do jornalismo esportivo?

Tive a oportunidade de trabalhar com o Luciano em três momentos diferentes da minha carreira. Comecei estagiário na Band em 1995 e por estar no inicio das minhas atividades, não tive tantos momentos ao lado dele (fiquei apenas nove meses na Band e fui para a ESPN Brasil onde fiquei até 2002). No SBT, ele foi convidado para narrar um Corinthians e Palmeiras pelo campeonato paulista de 2003 (uma homenagem do Silvio Santos para ele). Contato breve, mas lembrou de mim e chegou a reunir toda a equipe para um jantar! Sempre foi um cara amável com todos. No entanto, foi na Record que tive a oportunidade de trabalhar diretamente com ele, principalmente na Eurocopa 2004. Foi sem dúvida um dos maiores da história! Ele foi mais do que um narrador. Foi o cara que fez muito pelo esporte dentro e fora de quadras e estádios. Um cara que viu na NBA e na NFL dois produtos de altíssimo nível que poderiam cair nas graças dos brasileiros.

O que você nota de diferente dos jogos dos anos 90 para as partidas de hoje?

Hoje o basquetebol é muito mais físico, a marcação é muito mais agressiva… Não sei se você tem o Sports+, mas gravamos a final de 91 entre Bulls x Lakers para exibir neste final de semana. São raros os momentos em que a marcação se torna agressiva. Os Bad Boys de Detroit que começaram com este jogo mais duro no final dos anos 80 e inicio dos anos 90, entretanto não eram todas as equipes. O basquete me parece que era jogado com mais paixão, os salários eram outros… lamento só o fato da NBA ter demorado a dar o devido valor aos estrangeiros. Caso contrário, Sabonis, Oscar, Galis, Petrovic, Bodiroga e tantos outros poderiam ter jogado ou ido mais cedo para a NBA. Isso realmente foi uma pena!

O que achou da temporada dos brasileiros? Com a equipe 100%, até onde podemos chegar no mundial?

Mais uma vez a bruxa solta em relação a contusões. Splitter cada vez mais tendo um papel fundamental nos Spurs. Sem duvida um cara que tem todas as qualidades e o merecimento de chegar aonde chegou, pela trajetória correta de ir para Europa amadurecer por lá, brilhar por lá e ai sim alcançar o seu espaço hoje na NBA. Eu acho esse o caminho - aprender e evoluir na Europa pra chegar a NBA com uma base mais solida 

O Nenê vinha muito bem e estou feliz com o desempenho dele neste ano. Mais uma vez um cara que tem que matar um leão por temporada ou ate mesmo por dia pra provar que tem o seu valor. Só de ter vencido um câncer pra mim já o considero um vencedor. A vantagem do Splitter em relação a ele foi sempre o time em que atuou. Não dá pra comparar a franquia consolidada dos Spurs com Nuggets e Wizards… e isso pra um estrangeiro faz a diferença. O Ginobili é um monstro, mas se colocar ele nos Bucks ele iria brilhar acho que até mais, porém não seria um vencedor e isso ele leva de volta quando atua pela seleção argentina. 

Leandrinho se lesionou, mas pra quem começou na NBB, só o fato de retornar ao melhor campeonato do mundo já foi bem interessante. No Phoenix, time que ele conhece bem, pode ter um papel importante ainda 

O Varejão é um cara fantástico! Totalmente do bem! O que falar de um cara que joga com o coração e com um amor incrível no que faz?! Por conta das lesões da temporada passada, e também pela chegada do Andrew Bynum, foi preterido e voltou ao banco. Como ele mesmo disse, o papel dele agora é outro, é de passar experiência aos novos atletas que estão chegando. Entretanto acho ainda que pode ser muito útil ao Cleveland não só na experiência…

O Faverani até que começou bem mas não sei se ele terá sucesso na NBA! E olha que ele teve chances por estar numa equipe em franca reformulação. Confesso que perdi o interesse nele pela entrevista que li do Rubén Magnano, no globo esporte.com. É duro ouvir apenas um lado e tirar conclusões, mas não me lembro dele ter aparecido para se defender das acusações feitas pelo comandante da nossa seleção

Já sobre a seleção… Temos um dos melhores técnicos do mundo e isso já é suficiente na minha opinião o motivo para pensar alto em qualquer tipo de competição… lógico sem acreditar em milagres… Acho que se todos forem e realmente fizerem e acreditarem no que pede e no que prega o Magnano, o Brasil tem chances de chegar no top 4.

Recentemente orcemos o caso de racismo praticado pelo dono do Los Angeles Clippers. A NBA agiu rapidamente e baniu o cidadão. O que falta para o nosso esporte seguir o exemplo e aplicar esse tipo de punição?

A NBA agiu da maneira certa e rápida. Mas ainda gostaria de esperar sobre os desdobramentos deste caso. Infelizmente não acredito no nosso país!

Bulga, sem enrolar: quem ganha o título nessa temporada?
Qualquer um que vier do oeste, porém se o melhor do mundo na atualidade resolver jogar como fez no jogo 4 em New York, contra o Brooklyn Nets, o bicampeão será tri! Sem contar na frieza de Ray Allen e Dwyane Wade, jogadores acostumados a decidir e a vencer campeonatos. Mas oeste só perde o titulo se não tiver a cabeça lugar.

Você vai montar uma equipe e pode escolher Kobe Bryant ou LeBron James. Quem você escolhe?

Sem dúvida o LeBron. Mas isso não quer dizer que eu ache o Kobe ruim. Infelizmente aqui no Brasil existe a cultura eu gosto de um e o outro não presta. Não é isso. Não sou louco de falar que o Kobe não joga bem. Ele é um dos caras mais confiáveis quando o assunto é vencer jogos. Você me perguntou como jogador de basquete, certo? Jogador o LeBron é mais que ele! O basquete é individual? Não! Ninguém ganha jogo sozinho! E coletivo. E o LeBron sabe mais isso do que o Kobe. Acho até que às vezes ele acha isso muito Se ele fizesse e tivesse a atitude de fazer o que fez no jogo 4 contra o Brooklyn, ele teria um respeito maior de todos. Todos cobram o LeBron porque sabem que ele pode produzir mais. Não gosto, por exemplo, da comparação do Jordan, mas a respeito. Kobe é melhor porque venceu mais.

Então o Karl Malone, Charles Barkley, Allen Iverson, Dominique Wilkins foram péssimos porque não conseguiram títulos? O Carmelo e o Durant se não vencerem serão ruins? Acho o critério equivocado, mas respeito. Vou te explicar o motivo: Kobe jogou nos Lakers, uma franquia forte, ao lado de grandes jogadores, principalmente no inicio da carreira e com direito, quem sabe, a um dos melhores treinadores de todos os tempos. Já o LeBron chegou à Cleveland, uma equipe em formação sem ninguém de expressão ao seu redor e nunca foi comandado por um treinador de ponta até hoje (olha que o Spoelstra tem evoluído. Pra você ganhar um titulo da NBA com exceção dos Bulls do Jordan, que não tinha um pivô forte, mas teve no segundo tricampeonato o Dennis Rodman, o melhor reboteiro da lig. Pra você ser campeão, precisa ter um garrafão forte ou um pivô dominante.

O Kobe teve Shaq no auge, o LeBron teve Ilgauskas? O Kobe teve um cara super inteligente nestas ultimas temporadas chamado Pau Gasol, um fora de serie da Europa. Você vai falar: o Miami foi campeão como? Montando um time com estrelas como LeBron e Wade, e com um Bosh tendo que quebrar um galho lá dentro. O Kobe foi decisivo como foi muitos outros! O Kobe foi. Por que não sei se vai voltar a ser o que era, um dos mais fantásticos que vi jogar! Mais completo eu acho o LeBron.

E qual a sua visão sobre o pessoal que tem blogs, que faz a cobertura, analisa e divulga a NBA no Brasil?

Acho fantástico cara em saber que existem malucos como eu, você e tantos outros que encaram a NBA como o nome do seu blog mesmo diz, Matheus: com paixão. Tudo o que você for fazer na vida faça com amor. O meu pai, Sr. Rubens, me falou quando moleque: “não importa o que você for fazer na vida, se você quiser ser lixeiro (nada contra, hein! Todas as profissões merecem respeito e são importantes), seja lixeiro, meu filho. Mas procure ser o melhor dos lixeiros e sempre fazendo o seu trabalho com amor e respeito ao próximo.

Desde já, o Paixão NBA agradece o jornalista pela entrevista concedida. É um grande prazer. E se você gostou, se manifeste aqui no blog e nas redes sociais.

2 comentários :

O doutor NBA ! Não precisa dizer mais nada....

Dr. o que? Fala sério...
É só mais um que vai pra TV falar mal dos Lakers....

Postar um comentário

Manda a sua mensagem, solta o verbo, fã da NBA!