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17 de março de 2013

Um talento desperdiçado pelo álcool


Sérgio Júnior

Talvez você não conheça ele, mas ele foi a sétima escolha do draft de 2001, sendo selecionado na frente de nomes como Joe Johnson, Zach Randolph, Tony Parker e Gilbert Arenas, e um dia foi considerado uma das maiores promessas da NBA. Eddie Griffin.

Eddie começou se destacar no basquete enquanto estudava na Roman Catholic High School, em sua cidade natal, Philadelphia, e foi por lá que foi considerado o melhor jogador do país pela tradicional revista “Parade”. Jogou o McDonald’s All American Game (uma espécie de all-star game entre os melhores jogadores do High School) e levou sua escola para o título da Liga Católica de Phiadelphia. Do outro lado do sucesso, Eddie Griffin foi suspenso faltando apenas três semanas para sua graduação após participar de uma briga na cantina. “E se nós não tivéssemos feito isso?” – disse o então diretor da escola, Reverendo Paul Brant – “Esta era minha principal preocupação. Se nós não tivéssemos deixado ele saber que ele tem que ser responsável por suas ações, mais tarde na vida, quando ele se tornasse um atleta profissional, o que aconteceria quando ele fosse enfrentar circunstâncias onde ele tinha que se responsabilizar?” Uma grande intenção, que infelizmente não serviu de lição para o Power Forward de 2, 08 metros que teve que contar com um professor particular para conseguir seu diploma para partir para a faculdade.

No ano seguinte, Eddie Griffin entrou na Universidade de Seton Hall, em New Jersey. Por lá jogou ao lado de Samuel Dalembert, que estava em seu segundo ano. Eddie foi um grande destaque da equipe com médias de 17 pontos, 10 rebotes e 4 assistências. Mas por lá sua carreira foi curta, já que o jogador acabou entrando em outra briga, dessa vez com seu companheiro de equipe, Ty Shine. Mesmo de forma nebulosa e turbulenta, Eddie Griffin conseguiu se tornar elegível para o draft de 2001, e chegava a ser cotado para ser uma escolha de Top 5. Acabou sendo escolhido na 7ª escolha pelo New Jersey Nets, porém acabou sendo trocado no mesmo dia para o Houston Rockets pelos novatos Brandon Armstrong, Jason Collins e Richard Jefferson. Seu companheiro de Seton Hall, hoje no Milwaukee Bucks, Samuel Dalembert foi a 26ª escolha pelo 76ers.


Suas duas primeiras temporadas com a camisa 33 do Rockets foram bastante sólidas. No primeiro ano teve médias de 8.8 pontos, 5.7 rebotes e 1.8 tocos, e na segunda temporada fez 8.6 pontos 6.0 rebotes e 1.4 tocos, com o time não chegando aos playoffs nas duas temporadas. Eddie foi starter por 24 e 66 vezes respectivamente em suas duas temporadas. Apesar das duas sólidas temporadas, Eddie sofria com o alcoolismo e o pico dos problemas veio na temporada 2003-2004, quando o jogador perdeu vários treinos e até um voo de sua equipe. O desfecho foi a dispensa do jogador pelo Houston Rockets em dezembro de 2003. Acabou assinando pelo New Jersey Nets já em janeiro do ano seguinte, no entanto o jogador acabou perdendo a temporada após passar o restante dela internado numa clínica de reabilitação para combater seu vício ao álcool.


Tudo parecia ter desmoronado para Griffin, mas então veio aquela que seria sua última chance. Kevin McHale, presidente do Minnesota Timberwolves, ofereceu um ano de contrato para ele, um projeto pessoal de McHale para tentar salvar uma vida e um grande talento. Nos vestiários Griffin tinha seu armário ao lado de Kevin Garnett, jogador designado e perfeito para ser seu tutor. Porém o alcoolismo e a depressão nunca deixaram Eddie Griffin curtir o momento e o esporte. “Quando eu o assisti nesta temporada (por Seton Hall), a quadra sempre parecia o último lugar em que ele gostaria de estar” chegou a dizer um GM no dia em que ele foi draftado em 2001.

O jogador conseguiu manter uma produção próxima do que havia feito em suas primeiras temporadas em Houston, e ganhou uma renovação de dois anos com o Minnesota Timberwolves. Porém o melhor de sua carreira acabou ficando pra trás, e seus números caíram ladeira abaixo ao decorrer de suas outras duas temporadas com a camisa do time de Minneapolis. Em 2006, ainda como jogador do Wolves, acabou batendo seu carro em um outro estacionado logo após ter sido flagrado bebendo pelas câmeras de segurança de uma loja de conveniências Em março de 2007 acabou dispensado pelo Wolves, era o fim de seu último contrato na maior liga de basquete do mundo.


Desempregado e ainda preso ao alcoolismo, Eddie Griffin, teve seu destino fatal no dia 17 de Agosto de 2007, com apenas 25 anos de idade. Eddie simplesmente ignorou um aviso de uma ferrovia e seu carro foi atingido pelo trem que por lá vinha. O acidente acabou criando um enorme incêndio que acabou queimando todo o carro de Eddie e ainda uma parte do trem que carregava grânulos de plástico. A gravidade foi tanta que o corpo do jogador foi identificado apenas por sua estrutura dental. A autópsia confirmou que o jogador hávia ingerido três vezes mais álcool do que o permitido no estado do Texas, local do acidente. Seu treinador em Minnesota, Dwane Casey, revelou que não conversava com Griffin desde sua saída da equipe em Março, mas que sabia que Griffin estava se preparando para voltar ao basquete, desta vez pela Europa. 

Esta é uma das histórias mais tristes da NBA, que acabou com um grande desperdício de talento. Eddie recebou inúmeras chances na carreira, mas acabou sempre perdendo a batalha para o alcoolismo.”O álcool sempre esteve em seu caminho”, disse seu advogado Rusty Hardin. De Paul Brant a Kevin McHale, todos sabiam dos problemas de Eddie e tentaram o melhor, mas infelizmente foram incapazes de salvar a vida do jovem homem que deixou uma filha de três anos. Foram 303 jogos na NBA, com médias de 7.2 pontos 5.8 rebotes e 1.7 tocos.

2 comentários :

Excelente poste, mto bem escrito e explicado ps: "17 pontos, 10 rebotes e 4 rebotes" dá uma arrumada nisso ae amg. Abs.

Triste, mas recebeu varias chances e não era nenhuma criança pra não saber oq fazer, fez as escolhas e pagou por elas, milhões se matam pra conseguir jogar basquete e ele jogou fora isso

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