Acompanhe aqui:

7 de julho de 2011

Faried, um garoto para mudar seu jeito de pensar


Sérgio Júnior

Seu novo ídolo no Nuggets é mulçumano. Seu novo ídolo no Nuggets foi criado por sua mãe e sua namorada. Seu novo ídolo pode mudar o jeito que você vê a sociedade.
Kenneth Faried, o pick mais alto do Denver no último draft, vem criando certo burburinho em Denver, similar quando liderou Morehead State para a NCAA com uma vitória sobre Louisville no último mês de março no Pepsi Center.

Os torcedores estão animados com o novo Power Foward do time, que não foi só um dos melhores reboteiros da NCAA, mas quebrou o recorde de rebotes da era moderna que pertencia a Tim Duncan com 1,673 rebotes.

“Eu não desisto das jogadas,” disse Faried, que foi draftado em 22º no draft. “Eu apenas quero mais do que qualquer outra pessoa.”

Faried é fascinante. Ele joga basquete do jeito que ele vive a vida – sempre firme, obstinado e orgulhoso. E ele vem para Denver com uma história de vida incrível em seu currículo.
“O tanto que ele se tornou uma pessoa forte, ele pegou isso de mim, de seu pai e da minha esposa, “ disse sua mãe, Waudda Faried, de sua antiga casa em Neward, N.J. “Ele cresceu no gueto, mas ele não é do gueto. Teve atitudes totalmente diferentes. E eu estou orgulhosa dele. Eu estou tão orgulhosa dele que não posso expressar em palavras o tanto que estou.”

A última vez que o Nuggets teve um jogador mulçumano, não deu muito certo. Chris Jackson, que se tornaria Mahmoud Abdul-Rauf, protestou durante o hino Norte-Americano em 1996, naquele dia Abdul-Rauf ficou sentado como protesto contra a opressão e a tirania americana. O fato deixou um gosto ruim na boca de muitos torcedores de Denver.
Para alguns, esportes é o único jeito de conectar pessoas de diferentes religiões e cenários. Faried está aqui para jogar basquete. Mas ele pode ensinar um pouco sobre sua religião, apenas mostrando seu trabalho.

“Se vemos eles como modelos, ou simplesmente como atletas profissionais, seus comportamentos, hobbies e estilos de vida fazem grande diferença em influenciar não apenas comportamentos americanos normais, mas também suas atitudes, incluindo os problemas com o islamismo ou os mulçumanos,” explicou Andrea Stanton, professora assistente de estudos islâmicos na universidade de Denver. “Fazem 15 anos desde Mahmoud Abdul-Rauf recusou se levantar para o hino nacional. Estamos vivendo numa nova era, não apenas na nossa nação mas também aqui em Denver, onde há várias comunidades mulçumanas.

“Imagino que algumas pessoas farão comentários sarcásticos e talvez lembrar de Abdul-Rauf, mas no geral eu acho que os cidadãos de Denver são bem cosmopolitas, mente aberta e muito mais familiares com os americanos mulçumanos do que nos anos 90."

Os pais de Faried – todos os três – foram seus modelos, mas Alá foi seu guia. Quando jovem, Faried foi a igreja Batista com seu pai, mas o garoto Kenneth acabou virando mulçumano como sua mãe e sua companheia, Mashsin Copeland.

“Eu tento seguir minha fé ao extremo,” disse Faried, que completará 22 anos em Novembro. “As vezes é difícil, mas eu sou feliz que Alá me deu a chance de estar na posição que estou – e me deu esse talento, essa garra, esse coração. E os pais que tenho e as grandes pessoas que me circulam para me ajudar...Alá ajuda pessoas que ajudam uns aos outros e pessoas que são altruístas e retribuem. E é isso que eu tento fazer – retribuir as pessoas que me ajudaram.”

Mãe de Faried sobreviveu por causa de sua fé. Em alguns pontos da infância de Kenneth, ela trabalhou em quatro empregos, “apenas para ter certeza que ele não iria ter que ir para as ruas pedir dinheiro.”

“Eu trabalhei até ficar seriamente doente,” ela disse. “O doutor me disse que eu não viveria outro mês.”

Ela lutou contra o lúpus por grande parte da década, submetendo a vários tratamentos por aproximadamente sete anos. Ela precisou de um novo rim. Foi questão de vida ou morte.
“Nós oramos e oramos por esse novo rim vir,” ela falou “Eu disse (pra Kenneth), se eu deixasse aqui, eu precisaria que ele fosse uma pessoa forte.”

Isso foi em 2010. Seu filho estava em outro mundo, em Kentucky, um junior na pequena Morehead State. Em Newark, ela tinha apenas sua companheira Copeland e Alá.
Rapidamente, suas orações deram resposta. Ela passou por um transplante de rim com sucesso no dia 26 de maio daquele ano.

Durante os anos, esta resiliência de Waudda fez Kennet mais resiliente. E enquanto seu pai, que morava em Jersey City, foi uma inspiração importante (e está se mudando para Denver), foi sua mãe que o ensinou muito sobre o amor. Ali estava ela, com grande sofrimento e ao seu lado estava uma pessoal de um coração sincero. Aconteceu dessa pessoa ser uma mulher.

“Eu a considero como minha mãe,” definiu Faried sobre Copeland, que conseguiu sua união civil legal com Waudda em 2007. “Não foi como se eu não gostasse dela ou não respeitasse. Eu a amo. Eu era muito jovem quando ela veio para minha vida. Foi extremamente fácil para aceita-la. Tem uma grande comunidade gay por ai (em Jersey). Isso me fez aceitar qualquer coisa em minha vida.”

Faried, de fato, enfrentou crueldade de outras crianças.

“Crescendo,” ele disse, “as pessoas diziam coisas sobre minha mãe estar com outra mulher. Eles falavam sobre como isso me afetaria e que eu iria ser uma criança doida. Mas isso me afetou de um bom jeito. Eu sou capaz de me adaptar a qualquer coisa.”

Agora ele sua própria filha, Kyra, de apenas um ano de idade. Ele foi draftado no primeiro round. Ele irá jogar profissionalmente onde ele teve sua maior realização colegial. Ele é forte, fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. E ele está feliz em ser seu novo ídolo.

“Estou muito excitado de estar aqui, mas eu quero estar melhor a cada dia.” Disse Faried. “Eu quero que esperançosamente me torne all-star um dia...Eu estou pronto para fazer o que os treinadores peçam-me para fazer. Se eu tiver que ir para a D-League e ficar melhor, eu estou pronto pra isso. Eu apenas irei continuar lutando forte, como vem sendo por toda minha vida.”

0 comentários :

Postar um comentário

Manda a sua mensagem, solta o verbo, fã da NBA!